A muita gente custa-lhe aceitar que Jesus tenha sido tentado pelo diabo. E no fundo é porque considera a tentação como algo desonroso para a pessoa, como uma fraqueza, uma deficiência. Como se ela fosse coisa de pecadores, e não de santos. Mas, realmente, não é assim.

Jesus tentado no deserto (Mt 4,1-11)

Então, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe:


“Se Tu és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães”. Respondeu-lhe Jesus: “Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Então, o diabo conduziu-o à cidade santa e, colocando-o sobre o pináculo do templo, disse-lhe: “Se Tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, pois está escrito: Dará a teu respeito ordens aos seus anjos; eles suster-te-ão nas suas mãos para que os teus pés não se firam nalguma pedra”. Disse-lhe Jesus: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!” Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, disse-lhe: “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. Respondeu-lhe Jesus: “Vai-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto”. Então, o diabo deixou-o e chegaram os anjos e serviram-no. (ver Mc 1,12-13; Lc 4,1-13)


Nem boas, nem más

A tentação nem é boa nem é má. É simplesmente inevitável. Qualquer pessoa humana tem tentações, uma vez que, tendo sido criada livre, sempre se lhe hão de apresentar pela frente dois caminhos, duas possibilidades de agir, das quais, geralmente uma é boa e a outra é má. Esta dualidade de horizontes constitui a tentação. Se a pessoa escolher a via correta, cresce e amadurece; se optar pela errada, vai denegrir-se. Mas a tentação, em si, não tem moralidade. Passa a ser boa ou má conforme a decisão que cada indivíduo tenha tomado perante ela. Não é possível viver sem tentações. Se alguém não as tiver, deveríamos supô-lo automaticamente desumanizado, uma vez que não apareceriam os desafios à sua liberdade. Uma pessoa sem tentação seria tão anormal, que não pertenceria à categoria dos seres humanos.

Uma vez só, é fácil 

A Bíblia afirma que Jesus era verdadeiro homem, em tudo semelhante aos outros homens (Heb 2,17). Que «sofreu e teve tentações» (Heb 2,18). E que Ele “pôde entender a nossa debilidade pois teve as mesmas tentações que nós, só que nunca pecou” (Heb 4,15). Mas, as tentações que aconteceram a Jesus, segundo o evangelho, são raríssimas. Como poderemos dizer que são iguais às nossas? Em primeiro lugar, estranhamente o diabo aparece de um modo frontal, sem camuflagens nem máscaras, o qual contradiz a forma habitual com que é costume representá-lo. E assim, a cara descoberta, convida-o a pecar. Em segundo lugar, aparece-lhe uma só vez em toda a sua vida, no fim de um jejum de 40 dias no deserto; desafia-o, e, ao ser derrotado, vai e nunca mais volta durante o seu ministério. Quão diferente de nós, que sofremos o aguilhão das tentações todos os dias!

Com transporte incluído

Como se estas tentações não fossem já suficientemente insólitas, Jesus ainda nos aparece, de um modo estranho em cenários diferentes. A primeira tentação, por exemplo, tem lugar no deserto. Mas, para a segunda, o diabo translada-o pessoalmente ao Templo de Jerusalém (Mt 4,5). Como o transportou? Erguendo-o? Voando? Isto exigiria aceitar que o diabo realizou um milagre impressionante. Aonde foi ele buscar o poder para fazer milagres, quando a tradição bíblica sustém que só Javé pode fazê-los? (Sl 72,18; 86,10; 136,4). Na terceira, o diabo é apresentado levando Jesus a um monte alto, donde lhe mostra todos os reinos e países do mundo (Mt 4,8). Existe na terra esta extraordinária montanha, donde se possa contemplar semelhante espectáculo? E como pôde Jesus permanecer quarenta dias no deserto sem comer e sobretudo sem beber? A desidratação não perdoa a ninguém. A menos que Jesus tenha feito um milagre para não sofrê-la; mas então, que sentido tinha o seu jejum? Teria sido uma mera burla. Finalmente, como é que os discípulos tiveram conhecimento deste duelo no deserto? Contaria Jesus estas intimidades pessoais?

Teve-as permanentemente

Tudo isto convida a supor que, embora Jesus tivesse tentações durante a sua vida, a forma como estão contadas aqui não é histórica. Trata-se, antes, de uma criação literária dos evangelistas, com a finalidade de transmitir um ensinamento religioso, una ideia válida para a vida dos crentes, que tropeçam com as suas tentações no deserto da vida.

Em primeiro lugar, Jesus teve tentações não apenas um dia, mas todos os dias da sua vida. Ele mesmo disse uma vez aos seus apóstolos: 


“Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações, e eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a vosso favor” (Lc 22,28-29). 


Em que provações o acompanharam os seus apóstolos? Não certamente nas do deserto, onde aparece só, mas ao longo da sua vida pública.

Com efeito, pelos evangelhos sabemos que quiseram tentar Jesus muitas vezes. Como quando «se aproximaram dele os fariseus e saduceus para tentá-lo e lhe pediram um sinal no céu» (Mt 16,1). Ou quando lhe perguntaram para tentá-lo: “Pode alguém por qualquer motivo divorciar-se da sua mulher?” (Mt 19,3). Ou quando Ele respondeu aos que o interrogavam se devia-se pagar os impostos, ou não: “Hipócritas! Porque me tentais?” (Mt 22,18). Ou no dia em que lhe trouxeram uma mulher surpreendida em adultério, “para tentá-lo” (Jo 8,6).

Três, porquê? 

Como se vê, a vida de Jesus esteve cheia de tentações. Mas os autores bíblicos quiserem resumi-las apenas em três porque este é um número simbólico que aparece muitas vezes na Bíblia com o sentido de “totalidade”. Tal simbolismo talvez lhe venha do fato de serem três as dimensões do tempo: passado, presente e futuro. Portanto, dizer “três” é, de certo modo, dizer “sempre” ou “tudo”. Por exemplo, os três filhos de Noé (Gn 6,10) representam a totalidade dos seus descendentes. E as três vezes que Pedro negou a Jesus (Mt 26,34) simbolizam a totalidade das vezes em que lhe foi infiel. As três tentações do Senhor refletem, assim, todas as vezes que Ele esteve exposto a elas durante a sua vida.

Antigas tentações, para o novo povo 

Porque terão os evangelistas escolhido essas três tentações? Aí está a chave e o segredo de todo o relato! Escolheram-nas para traçar um paralelismo com o que sucedeu com o povo de Israel após a saída do Egito. Segundo o Antigo Testamento, depois de atravessarem prodigiosamente o Mar Vermelho (Ex 14, 15-31), os israelitas entraram no deserto (Ex 15,22), conduzidos pelo Espírito do Senhor (Is 63,13-14). Ali permaneceram 40 anos (Nm 31,13) e sofreram principalmente três tentações.

Tendo em conta estes detalhes, os autores bíblicos apresentam Jesus como o novo povo de Israel, que veio substituir o antigo. Por isso, todos os pormenores voltam a repetir-se: Jesus, depois de atravessar com prodígios as águas do Jordão ao ser batizado (Mt 3,13-17), entra no deserto durante 40 dias (Mt 4,1), conduzido pelo Espírito do Senhor, onde teve três tentações (Mt 4,1-11; Lc 4,1-13).

E porque motivo Jesus vem substituir o antigo Israel? Porque este tinha fracassado. Cada vez que tinha tido tentações no deserto, tinha saído derrotado. Ao contrário, Jesus sai vitorioso dessas mesmas tentações. Por isso agora Ele forma o novo povo, a nova raça de homens, e pode realizar o programa libertador confiado por Deus ao antigo Israel, o qual não tinha podido levá-lo à prática devido à sua infidelidade.

A tentação do deserto 

Assim, segundo os evangelistas, a primeira tentação de Jesus tem por cenário o deserto. Ali, os escritores imaginam que Ele, após 40 dias sem comer, sente fome e o tentador o incita a deixar o seu plano de jejum e converter as pedras em pão. Ora bem, o povo de Israel teve a mesma experiência. Depois de sair da escravidão do Egito e entrar na liberdade do deserto, durante 40 anos experimentou uma fome parecida. Perante a escassez de alimento, o povo caiu na tentação. Revoltou-se contra Moisés, desejou poderes especiais para fazer aparecer alimento, e até chegou a desejar ter poder para voltar para a escravidão do Egito, onde comia bem (Ex 16). Muitos anos depois, Moisés havia de lhes atirar esta fraqueza à cara, dizendo-lhes que deveriam ter pensado que não só de pão vive o homem, mas também de tudo o que sai da boca do Senhor (Dt 8,3). Mas, quando lhe sobreveio essa mesma tentação, Jesus negou-se a usar os seus poderes especiais em benefício próprio; e, recordando aquelas palavras de Moisés, apresentou-as ao diabo e derrotou-o.

A tentação do pináculo 

O segundo encontro entre Jesus e o diabo tem lugar, segundo Mateus, no teto de uma das galerias do Templo, sobre um precipício com mais de 100 metros que dava para o rio Cédron. Ali é convidado a atirar-se para o vácuo, para provar que Deus cuida sempre dele e não permite que lhe suceda qualquer mal. E, entretanto, realizará um milagre maravilhoso… Também Israel tinha passado por uma situação parecida. Na localidade de Massá, no deserto, tinha faltado a água. Sabiam que Javé estava com eles e nunca os abandonava. Mas para prová-lo e ver se era certo que Deus não permitiria que nada lhe acontecesse, exigiram a Moisés que fizesse aparecer água com um sinal maravilhoso. Caíram na tentação de usar a Deus. E apesar disso, Deus fez-lhes o milagre, sem mais (Ex 17,1-7). Mas Moisés, recordando este episódio, anos mais tarde repreendeu-os: “Nunca mais voltem a tentar a Deus” (Dt 6,16). Agora era Jesus quem tinha esta mesma tentação: pôr Deus à prova, atirando-se do teto abaixo para ver se era certo que Deus sempre estava com Ele. Mas o Senhor, recordando outra vez o conselho de Moisés, voltou a citá-lo ao diabo para o vencer.

A tentação do monte

A terceira vez que Jesus defronta o tentador é num monte muito alto, donde, numa visão imaginária, contempla todos os reinos de então. Desta vez, Satanás vai diretamente ao assunto e mostra-lhe a finalidade das suas tentações: abandonar o serviço exclusivo do Pai e converter-se num adorador do diabo, para obter melhores benefícios e riquezas na sua vida. Também Israel teve esta tentação no deserto: abandonar Javé e fabricar para si um ídolo, um bezerro de ouro a quem adorar. E tinha sucumbido à tentação (Ex 32). Com a sua infinita e habitual paciência, Moisés dirigiu um discurso ao povo antes de este entrar na terra prometida, pedindo-lhe que agora não se deixassem tentar pelos outros deuses que ali pudessem encontrar, pois “só a Deus se deve adorar, e unicamente a Ele se deve dar culto” (Dt 6,13). Segundo os evangelistas, Jesus teria vivido esta mesma tentação de adorar a outro além de Deus-Pai. E superou-a novamente com as palavras de Moisés, que lhe serviram de arma vencedora.

Em substituição do vencido

Israel tinha sido derrotado em todas as provas do deserto. Foram tantas as transgressões e os desprezos por Javé, que Deus não pôde engrandecer o povo, como era seu projeto. É certo que este conseguiu instalar-se na terra prometida; mas dali não conseguiu transmitir para toda a humanidade os ares de paz, de amor, de prosperidade que Deus tinha pensado. Não soube ensinar como deve viver um povo com Deus no meio dele. Por isso, os profetas, olhando para o futuro, confiaram que Deus mandaria um Messias com a força suficiente para vencer todas as tentações e transformar em realidade as antigas esperanças do povo.

Com a vinda do Senhor, os evangelistas sugerem que se inaugura um “novo povo de Israel”, formado por Jesus Cristo e os seus seguidores, os cristãos. Estes têm agora a difícil tarefa de recomeçar todos os dias a conquista dessa terra prometida, que agora é o mundo inteiro, e instaurar nele uma nova era de harmonia, de paz e de salvação que o Israel dos patriarcas não tinha podido conseguir. E desta vez será possível, porque o iniciador da tarefa, Jesus, saiu triunfante das provas, e todo aquele que viver unido a Ele pode, doravante, vencer também as tentações. Por isso os autores reuniram as tentações apenas no início da sua vida pública. Para indicar que se alguém se esforçar por vencê-las, fica logo com o caminho livre para o êxito, e tem garantido o triunfo final, como Jesus.

Baseados na sua vida 

Nenhum exegeta sustenta que Jesus foi realmente levado para o deserto, que ali sentiu fome e foi tentado, que depois subiu ao templo de Jerusalém, e terminou no cimo de um monte. Toda esta coreografia é uma criação dos evangelistas a fim de transmitirem um ensinamento. Mas fica ainda a pergunta: Estes relatos das tentações foram totalmente inventados pelos hagiógrafos, ou fundamentaram-se em episódios reais da vida de Jesus? Tudo leva a pensar nesta segunda hipótese.

Com efeito, para a primeira tentação a palavra “pão” dá-nos uma pista sobre quando pode ter sucedido a Jesus. Provavelmente foi no dia em que, confrontado com a fome da multidão, multiplicou os pães (Mc 6,30-44). São João relata que, ao ver o sinal miraculoso que Ele tinha realizado, a gente quis apoderar-se dele para fazê-lo rei a fim de ter sempre alguém que lhe resolvesse as necessidades materiais. Jesus, perante a miséria e a dor da gente, ter-se-ia inclinado a aceitar; mas, ao dar-se conta de que era uma tentação, retirou-se só para a montanha (Jo 6,14-15).

Quem foi o diabo desta primeira tentação? Foi o próprio povo, que o tentava para que continuasse a tirar mais pão do nada, e reduzisse apenas a isso a sua missão.

Também as outras

Quando poderá ter-lhe ocorrido a segunda tentação? O tentador pede-lhe que faça um milagre “a partir de cima, atirando-se para o vazio” para convencer a gente dos seus poderes extraordinários. O diabo desta tentação é muito mais esperto e inteligente que o da primeira, e além disso conhece bem a Bíblia, pois cita-lhe o salmo 91. Também aqui temos uma pista. Sabemos que um dia “se aproximaram dele os fariseus e saduceus, e para o tentarem pediram-lhe que lhes fizesse um sinal no céu”, e assim acreditariam definitivamente nele (Mt 16,1). Jesus já pregava há alguns anos, mas a dureza de coração desta gente tinha-a impedido de se converter, e o único que conseguia colher eram burlas. Agora tinha a possibilidade de os confundir com algum milagre prodigioso e tapar-lhes definitivamente a boca. Mas reagiu perante a nova tentação e, «deixando-os, foi-se» (16,4).

Quem foi o tentador, nesta prova? O domínio que tem da Bíblia dá-nos um indício: alguém que conhece muito bem a religião. De fato, foram as autoridades religiosas que, intrigadas pela atividade que Jesus desenvolvia entre o povo, o desafiaram a que executasse um grande milagre para mostrar até onde chegava o seu poder.

A terceira tentação, a do facilitismo, na qual o diabo lhe propõe conquistar todos os reinos do mundo sem sofrimentos nem sacrifícios, simplesmente adorando-o, sofreu-a Jesus quando Simão Pedro, ao ouvi-lo anunciar a sua futura paixão e sofrimentos, o aconselhou a que não se deixasse matar na cruz, mas que conquistasse o mundo de um modo mais fácil. Jesus, mal o pensou, respondeu-lhe: “Afasta-te da minha vista, Satanás” (Mt 16,21-23).

O diabo, desta vez, foi o próprio apóstolo Pedro.

Modelo a imitar

Jesus foi tentado durante toda a sua vida. Mas a experiência das suas provações foi resumida pelos evangelistas em três tentações. Com isto, pretenderam dizer que também nós seremos tentados toda a vida. Que estejamos preparados para isso. Só a pessoa não comprometida pode vangloriar-se de nunca ser tentada. Pelo contrário, as tentações intensificam-se à medida que alguém se vai aproximando do seu ideal. Mas, sobretudo, quiseram ensinar-nos que se Jesus, como homem, pôde superar as suas tentações, também qualquer pessoa humana pode fazê-lo.

Uma tentação nunca é superior às forças humanas. Ninguém, ao cair, deve dar o pretexto de que a tentação foi mais forte do que ele; pois, de Cristo em diante, os que se deixam guiar pelo Espírito saem sempre vitoriosos. Especialmente se conhecerem a Palavra de Deus, graças à qual, Jesus pôde vencer os embates do diabo.

Depois de tentado na sua humanidade, no I Domingo da Quaresma, no II Jesus aparece transfigurado e resplandecente na sua divindade, para de novo surgir como servo de Javé humilhado e morto (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor)… e finalmente ressuscitado e vivo, como Senhor da Comunidade, no Domingo de Páscoa.

Tal é o itinerário cristão que a liturgia da Igreja nos propõe no TEMPO DA QUARESMA EM DIRECÇÃO À PÁSCOA. Sempre no seguimento de Jesus Cristo, nosso Mestre, alternando sofrimento e alegria, cruz e glória. Como na vida. 

Escrito por Ariel Valdés
Tradução LOPES MORGADO

Jesus Foi Tentado Pelo Diabo

A muita gente custa-lhe aceitar que Jesus tenha sido tentado pelo diabo. E no fundo é porque considera a tentação como algo desonroso para a pessoa, como uma fraqueza, uma deficiência. Como se ela fosse coisa de pecadores, e não de santos. Mas, realmente, não é assim.

Jesus tentado no deserto (Mt 4,1-11)

Então, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, a fim de ser tentado pelo diabo. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe:


“Se Tu és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães”. Respondeu-lhe Jesus: “Está escrito: Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Então, o diabo conduziu-o à cidade santa e, colocando-o sobre o pináculo do templo, disse-lhe: “Se Tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, pois está escrito: Dará a teu respeito ordens aos seus anjos; eles suster-te-ão nas suas mãos para que os teus pés não se firam nalguma pedra”. Disse-lhe Jesus: “Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!” Em seguida, o diabo conduziu-o a um monte muito alto e, mostrando-lhe todos os reinos do mundo com a sua glória, disse-lhe: “Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares”. Respondeu-lhe Jesus: “Vai-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto”. Então, o diabo deixou-o e chegaram os anjos e serviram-no. (ver Mc 1,12-13; Lc 4,1-13)


Nem boas, nem más

A tentação nem é boa nem é má. É simplesmente inevitável. Qualquer pessoa humana tem tentações, uma vez que, tendo sido criada livre, sempre se lhe hão de apresentar pela frente dois caminhos, duas possibilidades de agir, das quais, geralmente uma é boa e a outra é má. Esta dualidade de horizontes constitui a tentação. Se a pessoa escolher a via correta, cresce e amadurece; se optar pela errada, vai denegrir-se. Mas a tentação, em si, não tem moralidade. Passa a ser boa ou má conforme a decisão que cada indivíduo tenha tomado perante ela. Não é possível viver sem tentações. Se alguém não as tiver, deveríamos supô-lo automaticamente desumanizado, uma vez que não apareceriam os desafios à sua liberdade. Uma pessoa sem tentação seria tão anormal, que não pertenceria à categoria dos seres humanos.

Uma vez só, é fácil 

A Bíblia afirma que Jesus era verdadeiro homem, em tudo semelhante aos outros homens (Heb 2,17). Que «sofreu e teve tentações» (Heb 2,18). E que Ele “pôde entender a nossa debilidade pois teve as mesmas tentações que nós, só que nunca pecou” (Heb 4,15). Mas, as tentações que aconteceram a Jesus, segundo o evangelho, são raríssimas. Como poderemos dizer que são iguais às nossas? Em primeiro lugar, estranhamente o diabo aparece de um modo frontal, sem camuflagens nem máscaras, o qual contradiz a forma habitual com que é costume representá-lo. E assim, a cara descoberta, convida-o a pecar. Em segundo lugar, aparece-lhe uma só vez em toda a sua vida, no fim de um jejum de 40 dias no deserto; desafia-o, e, ao ser derrotado, vai e nunca mais volta durante o seu ministério. Quão diferente de nós, que sofremos o aguilhão das tentações todos os dias!

Com transporte incluído

Como se estas tentações não fossem já suficientemente insólitas, Jesus ainda nos aparece, de um modo estranho em cenários diferentes. A primeira tentação, por exemplo, tem lugar no deserto. Mas, para a segunda, o diabo translada-o pessoalmente ao Templo de Jerusalém (Mt 4,5). Como o transportou? Erguendo-o? Voando? Isto exigiria aceitar que o diabo realizou um milagre impressionante. Aonde foi ele buscar o poder para fazer milagres, quando a tradição bíblica sustém que só Javé pode fazê-los? (Sl 72,18; 86,10; 136,4). Na terceira, o diabo é apresentado levando Jesus a um monte alto, donde lhe mostra todos os reinos e países do mundo (Mt 4,8). Existe na terra esta extraordinária montanha, donde se possa contemplar semelhante espectáculo? E como pôde Jesus permanecer quarenta dias no deserto sem comer e sobretudo sem beber? A desidratação não perdoa a ninguém. A menos que Jesus tenha feito um milagre para não sofrê-la; mas então, que sentido tinha o seu jejum? Teria sido uma mera burla. Finalmente, como é que os discípulos tiveram conhecimento deste duelo no deserto? Contaria Jesus estas intimidades pessoais?

Teve-as permanentemente

Tudo isto convida a supor que, embora Jesus tivesse tentações durante a sua vida, a forma como estão contadas aqui não é histórica. Trata-se, antes, de uma criação literária dos evangelistas, com a finalidade de transmitir um ensinamento religioso, una ideia válida para a vida dos crentes, que tropeçam com as suas tentações no deserto da vida.

Em primeiro lugar, Jesus teve tentações não apenas um dia, mas todos os dias da sua vida. Ele mesmo disse uma vez aos seus apóstolos: 


“Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações, e eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a vosso favor” (Lc 22,28-29). 


Em que provações o acompanharam os seus apóstolos? Não certamente nas do deserto, onde aparece só, mas ao longo da sua vida pública.

Com efeito, pelos evangelhos sabemos que quiseram tentar Jesus muitas vezes. Como quando «se aproximaram dele os fariseus e saduceus para tentá-lo e lhe pediram um sinal no céu» (Mt 16,1). Ou quando lhe perguntaram para tentá-lo: “Pode alguém por qualquer motivo divorciar-se da sua mulher?” (Mt 19,3). Ou quando Ele respondeu aos que o interrogavam se devia-se pagar os impostos, ou não: “Hipócritas! Porque me tentais?” (Mt 22,18). Ou no dia em que lhe trouxeram uma mulher surpreendida em adultério, “para tentá-lo” (Jo 8,6).

Três, porquê? 

Como se vê, a vida de Jesus esteve cheia de tentações. Mas os autores bíblicos quiserem resumi-las apenas em três porque este é um número simbólico que aparece muitas vezes na Bíblia com o sentido de “totalidade”. Tal simbolismo talvez lhe venha do fato de serem três as dimensões do tempo: passado, presente e futuro. Portanto, dizer “três” é, de certo modo, dizer “sempre” ou “tudo”. Por exemplo, os três filhos de Noé (Gn 6,10) representam a totalidade dos seus descendentes. E as três vezes que Pedro negou a Jesus (Mt 26,34) simbolizam a totalidade das vezes em que lhe foi infiel. As três tentações do Senhor refletem, assim, todas as vezes que Ele esteve exposto a elas durante a sua vida.

Antigas tentações, para o novo povo 

Porque terão os evangelistas escolhido essas três tentações? Aí está a chave e o segredo de todo o relato! Escolheram-nas para traçar um paralelismo com o que sucedeu com o povo de Israel após a saída do Egito. Segundo o Antigo Testamento, depois de atravessarem prodigiosamente o Mar Vermelho (Ex 14, 15-31), os israelitas entraram no deserto (Ex 15,22), conduzidos pelo Espírito do Senhor (Is 63,13-14). Ali permaneceram 40 anos (Nm 31,13) e sofreram principalmente três tentações.

Tendo em conta estes detalhes, os autores bíblicos apresentam Jesus como o novo povo de Israel, que veio substituir o antigo. Por isso, todos os pormenores voltam a repetir-se: Jesus, depois de atravessar com prodígios as águas do Jordão ao ser batizado (Mt 3,13-17), entra no deserto durante 40 dias (Mt 4,1), conduzido pelo Espírito do Senhor, onde teve três tentações (Mt 4,1-11; Lc 4,1-13).

E porque motivo Jesus vem substituir o antigo Israel? Porque este tinha fracassado. Cada vez que tinha tido tentações no deserto, tinha saído derrotado. Ao contrário, Jesus sai vitorioso dessas mesmas tentações. Por isso agora Ele forma o novo povo, a nova raça de homens, e pode realizar o programa libertador confiado por Deus ao antigo Israel, o qual não tinha podido levá-lo à prática devido à sua infidelidade.

A tentação do deserto 

Assim, segundo os evangelistas, a primeira tentação de Jesus tem por cenário o deserto. Ali, os escritores imaginam que Ele, após 40 dias sem comer, sente fome e o tentador o incita a deixar o seu plano de jejum e converter as pedras em pão. Ora bem, o povo de Israel teve a mesma experiência. Depois de sair da escravidão do Egito e entrar na liberdade do deserto, durante 40 anos experimentou uma fome parecida. Perante a escassez de alimento, o povo caiu na tentação. Revoltou-se contra Moisés, desejou poderes especiais para fazer aparecer alimento, e até chegou a desejar ter poder para voltar para a escravidão do Egito, onde comia bem (Ex 16). Muitos anos depois, Moisés havia de lhes atirar esta fraqueza à cara, dizendo-lhes que deveriam ter pensado que não só de pão vive o homem, mas também de tudo o que sai da boca do Senhor (Dt 8,3). Mas, quando lhe sobreveio essa mesma tentação, Jesus negou-se a usar os seus poderes especiais em benefício próprio; e, recordando aquelas palavras de Moisés, apresentou-as ao diabo e derrotou-o.

A tentação do pináculo 

O segundo encontro entre Jesus e o diabo tem lugar, segundo Mateus, no teto de uma das galerias do Templo, sobre um precipício com mais de 100 metros que dava para o rio Cédron. Ali é convidado a atirar-se para o vácuo, para provar que Deus cuida sempre dele e não permite que lhe suceda qualquer mal. E, entretanto, realizará um milagre maravilhoso… Também Israel tinha passado por uma situação parecida. Na localidade de Massá, no deserto, tinha faltado a água. Sabiam que Javé estava com eles e nunca os abandonava. Mas para prová-lo e ver se era certo que Deus não permitiria que nada lhe acontecesse, exigiram a Moisés que fizesse aparecer água com um sinal maravilhoso. Caíram na tentação de usar a Deus. E apesar disso, Deus fez-lhes o milagre, sem mais (Ex 17,1-7). Mas Moisés, recordando este episódio, anos mais tarde repreendeu-os: “Nunca mais voltem a tentar a Deus” (Dt 6,16). Agora era Jesus quem tinha esta mesma tentação: pôr Deus à prova, atirando-se do teto abaixo para ver se era certo que Deus sempre estava com Ele. Mas o Senhor, recordando outra vez o conselho de Moisés, voltou a citá-lo ao diabo para o vencer.

A tentação do monte

A terceira vez que Jesus defronta o tentador é num monte muito alto, donde, numa visão imaginária, contempla todos os reinos de então. Desta vez, Satanás vai diretamente ao assunto e mostra-lhe a finalidade das suas tentações: abandonar o serviço exclusivo do Pai e converter-se num adorador do diabo, para obter melhores benefícios e riquezas na sua vida. Também Israel teve esta tentação no deserto: abandonar Javé e fabricar para si um ídolo, um bezerro de ouro a quem adorar. E tinha sucumbido à tentação (Ex 32). Com a sua infinita e habitual paciência, Moisés dirigiu um discurso ao povo antes de este entrar na terra prometida, pedindo-lhe que agora não se deixassem tentar pelos outros deuses que ali pudessem encontrar, pois “só a Deus se deve adorar, e unicamente a Ele se deve dar culto” (Dt 6,13). Segundo os evangelistas, Jesus teria vivido esta mesma tentação de adorar a outro além de Deus-Pai. E superou-a novamente com as palavras de Moisés, que lhe serviram de arma vencedora.

Em substituição do vencido

Israel tinha sido derrotado em todas as provas do deserto. Foram tantas as transgressões e os desprezos por Javé, que Deus não pôde engrandecer o povo, como era seu projeto. É certo que este conseguiu instalar-se na terra prometida; mas dali não conseguiu transmitir para toda a humanidade os ares de paz, de amor, de prosperidade que Deus tinha pensado. Não soube ensinar como deve viver um povo com Deus no meio dele. Por isso, os profetas, olhando para o futuro, confiaram que Deus mandaria um Messias com a força suficiente para vencer todas as tentações e transformar em realidade as antigas esperanças do povo.

Com a vinda do Senhor, os evangelistas sugerem que se inaugura um “novo povo de Israel”, formado por Jesus Cristo e os seus seguidores, os cristãos. Estes têm agora a difícil tarefa de recomeçar todos os dias a conquista dessa terra prometida, que agora é o mundo inteiro, e instaurar nele uma nova era de harmonia, de paz e de salvação que o Israel dos patriarcas não tinha podido conseguir. E desta vez será possível, porque o iniciador da tarefa, Jesus, saiu triunfante das provas, e todo aquele que viver unido a Ele pode, doravante, vencer também as tentações. Por isso os autores reuniram as tentações apenas no início da sua vida pública. Para indicar que se alguém se esforçar por vencê-las, fica logo com o caminho livre para o êxito, e tem garantido o triunfo final, como Jesus.

Baseados na sua vida 

Nenhum exegeta sustenta que Jesus foi realmente levado para o deserto, que ali sentiu fome e foi tentado, que depois subiu ao templo de Jerusalém, e terminou no cimo de um monte. Toda esta coreografia é uma criação dos evangelistas a fim de transmitirem um ensinamento. Mas fica ainda a pergunta: Estes relatos das tentações foram totalmente inventados pelos hagiógrafos, ou fundamentaram-se em episódios reais da vida de Jesus? Tudo leva a pensar nesta segunda hipótese.

Com efeito, para a primeira tentação a palavra “pão” dá-nos uma pista sobre quando pode ter sucedido a Jesus. Provavelmente foi no dia em que, confrontado com a fome da multidão, multiplicou os pães (Mc 6,30-44). São João relata que, ao ver o sinal miraculoso que Ele tinha realizado, a gente quis apoderar-se dele para fazê-lo rei a fim de ter sempre alguém que lhe resolvesse as necessidades materiais. Jesus, perante a miséria e a dor da gente, ter-se-ia inclinado a aceitar; mas, ao dar-se conta de que era uma tentação, retirou-se só para a montanha (Jo 6,14-15).

Quem foi o diabo desta primeira tentação? Foi o próprio povo, que o tentava para que continuasse a tirar mais pão do nada, e reduzisse apenas a isso a sua missão.

Também as outras

Quando poderá ter-lhe ocorrido a segunda tentação? O tentador pede-lhe que faça um milagre “a partir de cima, atirando-se para o vazio” para convencer a gente dos seus poderes extraordinários. O diabo desta tentação é muito mais esperto e inteligente que o da primeira, e além disso conhece bem a Bíblia, pois cita-lhe o salmo 91. Também aqui temos uma pista. Sabemos que um dia “se aproximaram dele os fariseus e saduceus, e para o tentarem pediram-lhe que lhes fizesse um sinal no céu”, e assim acreditariam definitivamente nele (Mt 16,1). Jesus já pregava há alguns anos, mas a dureza de coração desta gente tinha-a impedido de se converter, e o único que conseguia colher eram burlas. Agora tinha a possibilidade de os confundir com algum milagre prodigioso e tapar-lhes definitivamente a boca. Mas reagiu perante a nova tentação e, «deixando-os, foi-se» (16,4).

Quem foi o tentador, nesta prova? O domínio que tem da Bíblia dá-nos um indício: alguém que conhece muito bem a religião. De fato, foram as autoridades religiosas que, intrigadas pela atividade que Jesus desenvolvia entre o povo, o desafiaram a que executasse um grande milagre para mostrar até onde chegava o seu poder.

A terceira tentação, a do facilitismo, na qual o diabo lhe propõe conquistar todos os reinos do mundo sem sofrimentos nem sacrifícios, simplesmente adorando-o, sofreu-a Jesus quando Simão Pedro, ao ouvi-lo anunciar a sua futura paixão e sofrimentos, o aconselhou a que não se deixasse matar na cruz, mas que conquistasse o mundo de um modo mais fácil. Jesus, mal o pensou, respondeu-lhe: “Afasta-te da minha vista, Satanás” (Mt 16,21-23).

O diabo, desta vez, foi o próprio apóstolo Pedro.

Modelo a imitar

Jesus foi tentado durante toda a sua vida. Mas a experiência das suas provações foi resumida pelos evangelistas em três tentações. Com isto, pretenderam dizer que também nós seremos tentados toda a vida. Que estejamos preparados para isso. Só a pessoa não comprometida pode vangloriar-se de nunca ser tentada. Pelo contrário, as tentações intensificam-se à medida que alguém se vai aproximando do seu ideal. Mas, sobretudo, quiseram ensinar-nos que se Jesus, como homem, pôde superar as suas tentações, também qualquer pessoa humana pode fazê-lo.

Uma tentação nunca é superior às forças humanas. Ninguém, ao cair, deve dar o pretexto de que a tentação foi mais forte do que ele; pois, de Cristo em diante, os que se deixam guiar pelo Espírito saem sempre vitoriosos. Especialmente se conhecerem a Palavra de Deus, graças à qual, Jesus pôde vencer os embates do diabo.

Depois de tentado na sua humanidade, no I Domingo da Quaresma, no II Jesus aparece transfigurado e resplandecente na sua divindade, para de novo surgir como servo de Javé humilhado e morto (Domingo de Ramos na Paixão do Senhor)… e finalmente ressuscitado e vivo, como Senhor da Comunidade, no Domingo de Páscoa.

Tal é o itinerário cristão que a liturgia da Igreja nos propõe no TEMPO DA QUARESMA EM DIRECÇÃO À PÁSCOA. Sempre no seguimento de Jesus Cristo, nosso Mestre, alternando sofrimento e alegria, cruz e glória. Como na vida. 

Escrito por Ariel Valdés
Tradução LOPES MORGADO

Várias vezes no livro do Apocalipse, Jesus disse: "Eu venho rapidamente." Quão rápida sua vinda seria?


Mateus 24, 27 diz: (ACF) “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem”.


Você já cronometrou um relâmpago? A maioria dos flashes de raios não duram sequer um segundo. E esta é a rapidez com que Jesus disse que a vinda do Filho do Homem seria. Um piscar de olhos poderia causar a perda do evento. Parece racional que, a menos que alguém estivesse vigiando especificamente por este evento que levaria um segundo no tempo para ser cumprido, este não o perderia.


Mateus 24,43 e 44 declara: (ACF) “Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós (os discípulos) apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”. (minha amplificação) 


Em Mateus 25. 1-13 Jesus contou a história das dez virgens. Cinco eram prudentes, e as outras cinco eram insensatas. Elas saíram à noite e esperaram o noivo. As virgens prudentes levaram azeite com suas lâmpadas, as insensatas não. O noivo estava atrasado e por isso as virgens adormeceram. Finalmente ouviram a chamada. "O noivo vem aí!" E as virgens prudentes tinham azeite para aprontar suas lâmpadas, mas as virgens insensatas não. Então, as virgens insensatas pediram azeite às virgens prudentes, e as virgens prudentes sabiamente disseram que o azeite não bastaria para todas. Então, as virgens insensatas tinham que ir comprar azeite. E, enquanto elas compravam o azeite, o noivo chegou. Elas perderam a vinda do noivo. 

O que isso nos diz, além de que metade das virgens eram insensatas, e metade das virgens eram prudentes? Jesus estava dizendo aos seus discípulos para estarem prontos, vigiando, esperando e preparados para a vinda do Filho do Homem. Aqueles que não estavam prontos, vigiando, esperando e preparados perderiam esse evento glorioso. E eles perderam.

Um evento inesperado que levou talvez um segundo no tempo para ser cumprido, tão rápido quanto um raio poderia ser perdido por aqueles que não estavam prontos, vigiando, esperando e preparados. Os prognosticadores do evento foram ignorados por muitos. Alguns daqueles que inicialmente acreditavam nos prognosticadores, se cansaram de esperar, e perguntaram quando esta vinda seria. Eles esperavam que acontecesse à seu tempo. Agora, por que eles achavam isso? Isso é o que os prognosticadores lhes disseram. Então, houve um afastamento por causa de impaciência. E eles também perderam a vinda do noivo. Alguns deles foram, provavelmente, os primeiros a pregarem uma vinda do Filho do Homem no futuro. Tudo porque eles não estavam prontos, vigiando, esperando ou preparados quando a vinda ocorreu.

Hoje, os discípulos desses futuristas ainda estão perguntando por provas de um evento que aconteceu em um segundo no tempo. Mas não podemos mostrar porque não estávamos lá. E aqueles que estavam lá, se não foram levados, perderam o evento. Devemos simplesmente aceitar pela fé que Cristo veio como disse que viria, em um segundo no tempo.

Escrito por Tom Lineaweaver
Traduzido por Paulo Tiago Moreira Gonçalves


Um Segundo no Tempo

Várias vezes no livro do Apocalipse, Jesus disse: "Eu venho rapidamente." Quão rápida sua vinda seria?


Mateus 24, 27 diz: (ACF) “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem”.


Você já cronometrou um relâmpago? A maioria dos flashes de raios não duram sequer um segundo. E esta é a rapidez com que Jesus disse que a vinda do Filho do Homem seria. Um piscar de olhos poderia causar a perda do evento. Parece racional que, a menos que alguém estivesse vigiando especificamente por este evento que levaria um segundo no tempo para ser cumprido, este não o perderia.


Mateus 24,43 e 44 declara: (ACF) “Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós (os discípulos) apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”. (minha amplificação) 


Em Mateus 25. 1-13 Jesus contou a história das dez virgens. Cinco eram prudentes, e as outras cinco eram insensatas. Elas saíram à noite e esperaram o noivo. As virgens prudentes levaram azeite com suas lâmpadas, as insensatas não. O noivo estava atrasado e por isso as virgens adormeceram. Finalmente ouviram a chamada. "O noivo vem aí!" E as virgens prudentes tinham azeite para aprontar suas lâmpadas, mas as virgens insensatas não. Então, as virgens insensatas pediram azeite às virgens prudentes, e as virgens prudentes sabiamente disseram que o azeite não bastaria para todas. Então, as virgens insensatas tinham que ir comprar azeite. E, enquanto elas compravam o azeite, o noivo chegou. Elas perderam a vinda do noivo. 

O que isso nos diz, além de que metade das virgens eram insensatas, e metade das virgens eram prudentes? Jesus estava dizendo aos seus discípulos para estarem prontos, vigiando, esperando e preparados para a vinda do Filho do Homem. Aqueles que não estavam prontos, vigiando, esperando e preparados perderiam esse evento glorioso. E eles perderam.

Um evento inesperado que levou talvez um segundo no tempo para ser cumprido, tão rápido quanto um raio poderia ser perdido por aqueles que não estavam prontos, vigiando, esperando e preparados. Os prognosticadores do evento foram ignorados por muitos. Alguns daqueles que inicialmente acreditavam nos prognosticadores, se cansaram de esperar, e perguntaram quando esta vinda seria. Eles esperavam que acontecesse à seu tempo. Agora, por que eles achavam isso? Isso é o que os prognosticadores lhes disseram. Então, houve um afastamento por causa de impaciência. E eles também perderam a vinda do noivo. Alguns deles foram, provavelmente, os primeiros a pregarem uma vinda do Filho do Homem no futuro. Tudo porque eles não estavam prontos, vigiando, esperando ou preparados quando a vinda ocorreu.

Hoje, os discípulos desses futuristas ainda estão perguntando por provas de um evento que aconteceu em um segundo no tempo. Mas não podemos mostrar porque não estávamos lá. E aqueles que estavam lá, se não foram levados, perderam o evento. Devemos simplesmente aceitar pela fé que Cristo veio como disse que viria, em um segundo no tempo.

Escrito por Tom Lineaweaver
Traduzido por Paulo Tiago Moreira Gonçalves


A Escatologia da Aliança enfatiza o fato indiscutível de que o NT diz repetidamente que a vinda de Cristo, o fim da idade e a ressurreição estavam perto no primeiro século. Futuristas estão constantemente à procura de atenuar esta linguagem e evitar o poder da palavra. Uma das "válvulas de escape" é o argumentos oferecido do fato de que vários profetas do Antigo Testamento alegaram que o "Dia do Senhor" estava "próximo, à mão, etc," já em seus dias (por exemplo,Ezequiel 30:3; Joel1:15, 3:14; Obadias 14). No entanto, a Segunda Vinda estava mais longe para eles do que para os apóstolos do NT. Por que, então, devemos considerar o uso destes termos no NT como "na mão, perto de, em breve, etc", em seu sentido simples,mas não nestas passagens do Antigo Testamento? 

Resposta: Superficialmente, isso soa como uma sólida objeção contra a Escatologia da Aliança. No entanto, quando olhamos realmente para as escrituras percebemos logo que a oposição se baseia em alguns pressupostos falsos. Além disso, negligencia palavras enfáticas da escritura!

O primeiro pressuposto é que "o Dia do Senhor" é sempre referente à "Segunda Vinda";

Em segundo lugar, admite-se também que o Dia do Senhor deve ser uma vinda do Senhor literal, visível, e corpórea;

Em terceiro lugar, esta objeção ignora o fato de que o AT estabelece uma distinção entre Dias do Senhor que eram iminentes no AT, e o Dia do Senhor, que não estava perto!

A Antiga Aliança predisse o "Dia do Senhor." No entanto, o que não está provado pela oposição é que o dia a ser predito deveria ser uma aparição corpórea e visível do Senhor, ou, que é o mesmo Dia do Senhor previsto no Novo Testamento! Na verdade, não é! Vamos considerar um texto.

Isaías 34 é uma das descrições mais gráficas do Dia do Senhor no AT. Tomada literalmente, poderia descrever a dissolução do cosmos. No entanto, tome nota de vários fatos:

1.) A previsão é contra Edom (v. 8),e as nações;

2.) É o Dia do Senhor;

3.) O pó da terra queimaria dia e noite e para todo o sempre (v. 9, 10);

4.) Os animais selvagens lá habitariam, e as ervas cresceriam por lá!

Alguém pode dizer como a Terra poderia queimar eternamente, enquanto os animais e ervas daninhas cresceriam!? Será que devemos acreditar em animais de fogo?

Quando examinamos Isaías 34 à luz de outras profecias a respeito de Edom, e a progressão da história, certas coisas tornam-se aparentes.

1.) A destruição de Edom deveria ocorrer ao mesmo tempo da destruição das outras nações (Jr 25 / Ezequiel 25);

2.) A destruição de Edom deveria ocorrer pelas mãos dos babilônios (Jeremias 25:9), quando o Senhor rugisse do céu (Jeremias 25:30);

3.) O Dia do Senhor não estava perto de Isaías, todavia, estava perto quando Obadias escreveu (Obadias 15);

4.) Malaquias, o profeta, olhou para a destruição de Edom como uma realidade cumprida, e até usa a linguagem de Isaías 34 para descrever a destruição (Malaquias 1:2)!

5.) Os babilônios destruíram Edom, em 583 a.C., tal como previsto! (New International Standard Bible Encyclopedia Revisado, (Grand Rapids, Eerdman, 1988) idem Edom).

Então, Edom deveria ser destruída no Dia do Senhor. Aquele dia estava próximo quando Ezequiel, Jeremias e Obadias escreveram, e Malaquias diz que Edom havia sido destruída! Profecia cumprida! No entanto, evidentemente, YHVH não veio do céu, o cosmos não foi derretido. A Terra não foi incendiada, e não continua queimando.

Se quisermos ser bons alunos da Bíblia, devemos honrar sua utilização de diferentes tipos de literatura, incluindo a linguagem apocalíptica, metafórica! Que direito temos hoje de negar aos escritores bíblicos o direito de escrever metaforicamente? Observe agora Joel 2-3.

Joel 2-3

Tal objeção oferece Joel como prova de que os escritores do AT previram que o Dia do Senhor deveria ocorrer iminentemente. O que nãopercebem é que Joel falou de dois dias do Senhor! Nos capítulos 1 e 2, anterior ao verso 27 Joel declara que o Dia do Senhor estava próximo. Todavia, no versículo 28, ele diz: “Acontecerá depois”. Depois de quê? Depois do dia que estava perto!

Observe também que em 3:1, ele então diz: “Pois eis que naqueles dias, e naquele tempo”. Ele está se dirigindo agora ao dia "posterior", o dia que viria nos últimos dias. Isto é, por falta de melhor terminologia, “desígnio de iminência." (Termo meu)

Isto é comum no AT. É quando o escritor fala de eventos que estão longe de sua perspectiva, mas ele diz que quando o tempo esperado chega, os eventos previstos estarão próximos. Olhe para Deuteronômio 4:25-26 , por exemplo,

Quando, pois, tiverdes filhos, e filhos de filhos, e envelhecerdes na terra, e vos corromperdes, fazendo alguma imagem esculpida, semelhança de alguma coisa, e praticando o que é mau aos olhos do Senhor vosso Deus, para o provocar a ira,- hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra,-bem cedo perecereis da terra que, passado o Jordão, ides possuir. Não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos. (Dt. 4:25-26)

Este contraste entre um dia do Senhor perto, juntamente com o desígnio nos últimos dias, quando o Dia do Senhor estaria próximo, obriga-nos a perceber várias coisas:

1.) A linguagem do A.T. do Dia do Senhor estava sendo usada metaforicamente, já que os dias próximos foram cumpridos;

2). As instruções de tempo de iminência, em outras palavras, foram objetivas;

3). Os autores do A.T. estavam prevendo outro Dia consumador, que disseram enfaticamente não estava perto de seu tempo.

Significativamente, os escritores do N.T. jamais designaram iminência! Ao invés disso, eles sempre disseram que estavam vivendo nos últimos dias anunciados pelos profetas do A.T. (cf. Mateus 13:17, Atos 3:21-24;Hebreus 1:1-2, 2 Pedro 3:1-2, etc.) Isto é fundamental!

Além disso, tanto o A.T. quando o N.T. ensinam que a Segunda Vinda seria da mesma natureza que o Dia do Senhor no A.T. Jesus disse que viria"na glória do Pai" (Mateus 16:27), o que significa que ele viria como o Pai tinha vindo! YHVH nunca tinha vindo literalmente, visivelmente, e de forma corpórea!)

Para resumir, deixe-me fazer este argumento:

- A vinda de Cristo para estabelecer o Novo Céu e Nova Terra era o dia profetizado por Isaías 64-66 (2 Pedro 3:1-2, 13);

- A vinda de Cristo predita por Isaías 64-66 deveria ser um dia do Senhor, como Dias do Senhor anteriores, um Dia do Senhor histórico, não-literal e não-visível (Isaías 64:1-3);

- Portanto, a vinda de Cristo de 2 Pedro 3 - deveria ser um Dia do Senhor histórico, não-literal, não-visível.

Deixe-me estabelecer a premissa menor: 

“Oh! se fendesses os céus, e descesses, e os montes tremessem à tua presença, como quando o fogo pega em acendalhas, e o fogo faz ferver a água, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários, de sorte que à tua presença tremam as nações! Quando fazias coisas terríveis,que não esperávamos, descias, e os montes tremiam à tua presença”. (Isaías 64:1-3)

Isaías orou para que YHVH viesse para destruir a criação! Ele queria que o Senhor viesse e se manifestasse para as nações. Observe com atenção: ele queria YHVH viesse como Ele veio no passado: " Quando fazias coisas terríveis, que não esperávamos, descias, e os montes tremiam à tua presença " Você entendeu isso?

Notoriamente, YHVH nunca saiu do céu literalmente, visivelmente, e de forma corpórea! Ele nunca tinha descido e destruído a Criação antes! No entanto, o profeta disse que ele tinha feito! Esta é, inegavelmente, linguagem metafórica e hiperbólica para descrever a intervenção de Deus na história. Assim, o A.T. define e descreve a Segunda Vinda como um Dia como os Dias do Senhor no passado.

Agora, para não deixar quaisquer dúvidas, os escritores do Novo Testamento nos dizem enfaticamente que os escritores do A.T. não disseram, ao contrário do que nossos opositores alegam, que a parousia consumadora de Cristo estava próxima! Leia 1 Pedro 1:10-12:

“Desta salvação inquiririam e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada, indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos bem desejam atentar.

Observe que os profetas do A.T. anunciaram a vinda do Messias para a salvaçã oeterna. Mas, para estes profetas do A.T. foi dito que a salvação na vinda do Messias não era para o tempo deles! Por favor, veja Daniel 12:1-13, onde Daniel previu a hora da ressurreição. E, foi-lhe dito que os acontecimentos do tempo do fim não eram para seu tempo! Esta é precisamente a questão em 1 Pedro!

Resumo:

- Os escritores do A.T. disseram que o Dia do Senhor estava próximo. E, o que eles previram que estava próximo estava realmente próximo!;

- A linguagem de proximidade era objetiva, é verdade, e foi cumprida!;

- A linguagem descritiva do Dia do Senhor não foi cumprida literalmente, mas, metaforicamente, nas interveções soberanas de Deus na história;

- No entanto, os profetas do A.T. não disseram que a parousia consumadora de Cristo estava próxima;

- O Dia do Senhor consumador – A Segunda Vinda de Cristo deveria ser da mesma natureza que os dias do Senhor anteriores.

Os escritores do Novo Testamento afirmam com muita clareza de linguagem que a parousia dos últimos dias anunciada pelos profetas, já no primeiro século, estava agora próxima.

Assim, a oposição demonstrou ser baseada em pressupostos falsos, e em afirmações falsas.

Autor: Don K. Preston
Tradução e Adaptação por Paulo Tiago Moreira Gonçalves


Indicações de Iminência no Antigo Testamento

A Escatologia da Aliança enfatiza o fato indiscutível de que o NT diz repetidamente que a vinda de Cristo, o fim da idade e a ressurreição estavam perto no primeiro século. Futuristas estão constantemente à procura de atenuar esta linguagem e evitar o poder da palavra. Uma das "válvulas de escape" é o argumentos oferecido do fato de que vários profetas do Antigo Testamento alegaram que o "Dia do Senhor" estava "próximo, à mão, etc," já em seus dias (por exemplo,Ezequiel 30:3; Joel1:15, 3:14; Obadias 14). No entanto, a Segunda Vinda estava mais longe para eles do que para os apóstolos do NT. Por que, então, devemos considerar o uso destes termos no NT como "na mão, perto de, em breve, etc", em seu sentido simples,mas não nestas passagens do Antigo Testamento? 

Resposta: Superficialmente, isso soa como uma sólida objeção contra a Escatologia da Aliança. No entanto, quando olhamos realmente para as escrituras percebemos logo que a oposição se baseia em alguns pressupostos falsos. Além disso, negligencia palavras enfáticas da escritura!

O primeiro pressuposto é que "o Dia do Senhor" é sempre referente à "Segunda Vinda";

Em segundo lugar, admite-se também que o Dia do Senhor deve ser uma vinda do Senhor literal, visível, e corpórea;

Em terceiro lugar, esta objeção ignora o fato de que o AT estabelece uma distinção entre Dias do Senhor que eram iminentes no AT, e o Dia do Senhor, que não estava perto!

A Antiga Aliança predisse o "Dia do Senhor." No entanto, o que não está provado pela oposição é que o dia a ser predito deveria ser uma aparição corpórea e visível do Senhor, ou, que é o mesmo Dia do Senhor previsto no Novo Testamento! Na verdade, não é! Vamos considerar um texto.

Isaías 34 é uma das descrições mais gráficas do Dia do Senhor no AT. Tomada literalmente, poderia descrever a dissolução do cosmos. No entanto, tome nota de vários fatos:

1.) A previsão é contra Edom (v. 8),e as nações;

2.) É o Dia do Senhor;

3.) O pó da terra queimaria dia e noite e para todo o sempre (v. 9, 10);

4.) Os animais selvagens lá habitariam, e as ervas cresceriam por lá!

Alguém pode dizer como a Terra poderia queimar eternamente, enquanto os animais e ervas daninhas cresceriam!? Será que devemos acreditar em animais de fogo?

Quando examinamos Isaías 34 à luz de outras profecias a respeito de Edom, e a progressão da história, certas coisas tornam-se aparentes.

1.) A destruição de Edom deveria ocorrer ao mesmo tempo da destruição das outras nações (Jr 25 / Ezequiel 25);

2.) A destruição de Edom deveria ocorrer pelas mãos dos babilônios (Jeremias 25:9), quando o Senhor rugisse do céu (Jeremias 25:30);

3.) O Dia do Senhor não estava perto de Isaías, todavia, estava perto quando Obadias escreveu (Obadias 15);

4.) Malaquias, o profeta, olhou para a destruição de Edom como uma realidade cumprida, e até usa a linguagem de Isaías 34 para descrever a destruição (Malaquias 1:2)!

5.) Os babilônios destruíram Edom, em 583 a.C., tal como previsto! (New International Standard Bible Encyclopedia Revisado, (Grand Rapids, Eerdman, 1988) idem Edom).

Então, Edom deveria ser destruída no Dia do Senhor. Aquele dia estava próximo quando Ezequiel, Jeremias e Obadias escreveram, e Malaquias diz que Edom havia sido destruída! Profecia cumprida! No entanto, evidentemente, YHVH não veio do céu, o cosmos não foi derretido. A Terra não foi incendiada, e não continua queimando.

Se quisermos ser bons alunos da Bíblia, devemos honrar sua utilização de diferentes tipos de literatura, incluindo a linguagem apocalíptica, metafórica! Que direito temos hoje de negar aos escritores bíblicos o direito de escrever metaforicamente? Observe agora Joel 2-3.

Joel 2-3

Tal objeção oferece Joel como prova de que os escritores do AT previram que o Dia do Senhor deveria ocorrer iminentemente. O que nãopercebem é que Joel falou de dois dias do Senhor! Nos capítulos 1 e 2, anterior ao verso 27 Joel declara que o Dia do Senhor estava próximo. Todavia, no versículo 28, ele diz: “Acontecerá depois”. Depois de quê? Depois do dia que estava perto!

Observe também que em 3:1, ele então diz: “Pois eis que naqueles dias, e naquele tempo”. Ele está se dirigindo agora ao dia "posterior", o dia que viria nos últimos dias. Isto é, por falta de melhor terminologia, “desígnio de iminência." (Termo meu)

Isto é comum no AT. É quando o escritor fala de eventos que estão longe de sua perspectiva, mas ele diz que quando o tempo esperado chega, os eventos previstos estarão próximos. Olhe para Deuteronômio 4:25-26 , por exemplo,

Quando, pois, tiverdes filhos, e filhos de filhos, e envelhecerdes na terra, e vos corromperdes, fazendo alguma imagem esculpida, semelhança de alguma coisa, e praticando o que é mau aos olhos do Senhor vosso Deus, para o provocar a ira,- hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra,-bem cedo perecereis da terra que, passado o Jordão, ides possuir. Não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos. (Dt. 4:25-26)

Este contraste entre um dia do Senhor perto, juntamente com o desígnio nos últimos dias, quando o Dia do Senhor estaria próximo, obriga-nos a perceber várias coisas:

1.) A linguagem do A.T. do Dia do Senhor estava sendo usada metaforicamente, já que os dias próximos foram cumpridos;

2). As instruções de tempo de iminência, em outras palavras, foram objetivas;

3). Os autores do A.T. estavam prevendo outro Dia consumador, que disseram enfaticamente não estava perto de seu tempo.

Significativamente, os escritores do N.T. jamais designaram iminência! Ao invés disso, eles sempre disseram que estavam vivendo nos últimos dias anunciados pelos profetas do A.T. (cf. Mateus 13:17, Atos 3:21-24;Hebreus 1:1-2, 2 Pedro 3:1-2, etc.) Isto é fundamental!

Além disso, tanto o A.T. quando o N.T. ensinam que a Segunda Vinda seria da mesma natureza que o Dia do Senhor no A.T. Jesus disse que viria"na glória do Pai" (Mateus 16:27), o que significa que ele viria como o Pai tinha vindo! YHVH nunca tinha vindo literalmente, visivelmente, e de forma corpórea!)

Para resumir, deixe-me fazer este argumento:

- A vinda de Cristo para estabelecer o Novo Céu e Nova Terra era o dia profetizado por Isaías 64-66 (2 Pedro 3:1-2, 13);

- A vinda de Cristo predita por Isaías 64-66 deveria ser um dia do Senhor, como Dias do Senhor anteriores, um Dia do Senhor histórico, não-literal e não-visível (Isaías 64:1-3);

- Portanto, a vinda de Cristo de 2 Pedro 3 - deveria ser um Dia do Senhor histórico, não-literal, não-visível.

Deixe-me estabelecer a premissa menor: 

“Oh! se fendesses os céus, e descesses, e os montes tremessem à tua presença, como quando o fogo pega em acendalhas, e o fogo faz ferver a água, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários, de sorte que à tua presença tremam as nações! Quando fazias coisas terríveis,que não esperávamos, descias, e os montes tremiam à tua presença”. (Isaías 64:1-3)

Isaías orou para que YHVH viesse para destruir a criação! Ele queria que o Senhor viesse e se manifestasse para as nações. Observe com atenção: ele queria YHVH viesse como Ele veio no passado: " Quando fazias coisas terríveis, que não esperávamos, descias, e os montes tremiam à tua presença " Você entendeu isso?

Notoriamente, YHVH nunca saiu do céu literalmente, visivelmente, e de forma corpórea! Ele nunca tinha descido e destruído a Criação antes! No entanto, o profeta disse que ele tinha feito! Esta é, inegavelmente, linguagem metafórica e hiperbólica para descrever a intervenção de Deus na história. Assim, o A.T. define e descreve a Segunda Vinda como um Dia como os Dias do Senhor no passado.

Agora, para não deixar quaisquer dúvidas, os escritores do Novo Testamento nos dizem enfaticamente que os escritores do A.T. não disseram, ao contrário do que nossos opositores alegam, que a parousia consumadora de Cristo estava próxima! Leia 1 Pedro 1:10-12:

“Desta salvação inquiririam e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada, indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos bem desejam atentar.

Observe que os profetas do A.T. anunciaram a vinda do Messias para a salvaçã oeterna. Mas, para estes profetas do A.T. foi dito que a salvação na vinda do Messias não era para o tempo deles! Por favor, veja Daniel 12:1-13, onde Daniel previu a hora da ressurreição. E, foi-lhe dito que os acontecimentos do tempo do fim não eram para seu tempo! Esta é precisamente a questão em 1 Pedro!

Resumo:

- Os escritores do A.T. disseram que o Dia do Senhor estava próximo. E, o que eles previram que estava próximo estava realmente próximo!;

- A linguagem de proximidade era objetiva, é verdade, e foi cumprida!;

- A linguagem descritiva do Dia do Senhor não foi cumprida literalmente, mas, metaforicamente, nas interveções soberanas de Deus na história;

- No entanto, os profetas do A.T. não disseram que a parousia consumadora de Cristo estava próxima;

- O Dia do Senhor consumador – A Segunda Vinda de Cristo deveria ser da mesma natureza que os dias do Senhor anteriores.

Os escritores do Novo Testamento afirmam com muita clareza de linguagem que a parousia dos últimos dias anunciada pelos profetas, já no primeiro século, estava agora próxima.

Assim, a oposição demonstrou ser baseada em pressupostos falsos, e em afirmações falsas.

Autor: Don K. Preston
Tradução e Adaptação por Paulo Tiago Moreira Gonçalves


A Verdadeira interpretação desses primeiros quatro selos é aquela que os reconhece como uma representação simbólica das "guerras, fomes, pestilências e terremotos", as quais Jesus declarou que seriam "o princípio das dores" na desolação de Jerusalém (Mt. 24:6-7; Lc. 21:10-11, 20). A tentativa de identificar cada figura separada com um evento específico perde tanto o espírito quanto o método do simbolismo apocalíptico. O objetivo é dar uma representação quádrupla e muito impressionante daquela terrível guerra contra Jerusalém, que estava destinada a vingar o sangue justos dos profetas e apóstolos (Mt. 23:35-37), e causar uma “grande tribulação”, como nunca antes tinha ocorrido (Mt. 24:21). Como os quatro sucessivos, porém estreitamente relacionados enxames de gafanhotos em Joel 1:4; como os quatro cavaleiros sobre cavalos de cores diferentes em Zacarias 1:8, 18, e como os quatro carros puxados por outros tantos cavalos de cores diferentes em Zacarias 6:1-8, estes quatro dolorosos juízos de Jeová ocorrem sob o mandamento dos quatro seres viventes que estão ao lado do Trono, para executar a vontade daquele que declarou que os “escribas e fariseus, [que eram] hipócritas” de seu tempo eram “serpentes, raça de víboras”, e lhes assegurou que “todas estas coisas h[averiam] de vir sobre esta geração” (Mt. 23:33, 36). Os escritos de Josefo mostram de forma abundante quão terrivelmente se cumpriram todas estas coisas na guerra sangrenta de Roma contra Jerusalém.

Fonte: Milton Terry, Biblical Apocalyptics: A Study of the Most Notable Revelations of God and Christ in the Canonical Scriptures (New York: Eaton and Mains, 1898), pp. 329.

Autor Milton Terry
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Os Quatro Selos de Apocalipse

A Verdadeira interpretação desses primeiros quatro selos é aquela que os reconhece como uma representação simbólica das "guerras, fomes, pestilências e terremotos", as quais Jesus declarou que seriam "o princípio das dores" na desolação de Jerusalém (Mt. 24:6-7; Lc. 21:10-11, 20). A tentativa de identificar cada figura separada com um evento específico perde tanto o espírito quanto o método do simbolismo apocalíptico. O objetivo é dar uma representação quádrupla e muito impressionante daquela terrível guerra contra Jerusalém, que estava destinada a vingar o sangue justos dos profetas e apóstolos (Mt. 23:35-37), e causar uma “grande tribulação”, como nunca antes tinha ocorrido (Mt. 24:21). Como os quatro sucessivos, porém estreitamente relacionados enxames de gafanhotos em Joel 1:4; como os quatro cavaleiros sobre cavalos de cores diferentes em Zacarias 1:8, 18, e como os quatro carros puxados por outros tantos cavalos de cores diferentes em Zacarias 6:1-8, estes quatro dolorosos juízos de Jeová ocorrem sob o mandamento dos quatro seres viventes que estão ao lado do Trono, para executar a vontade daquele que declarou que os “escribas e fariseus, [que eram] hipócritas” de seu tempo eram “serpentes, raça de víboras”, e lhes assegurou que “todas estas coisas h[averiam] de vir sobre esta geração” (Mt. 23:33, 36). Os escritos de Josefo mostram de forma abundante quão terrivelmente se cumpriram todas estas coisas na guerra sangrenta de Roma contra Jerusalém.

Fonte: Milton Terry, Biblical Apocalyptics: A Study of the Most Notable Revelations of God and Christ in the Canonical Scriptures (New York: Eaton and Mains, 1898), pp. 329.

Autor Milton Terry
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
“Como Jesus veio nas nuvens em 66-70 d.C?” Essa é uma das perguntas que eu mesmo tive que responder quando estava verificando se o preterismo parcial era ou não a interpretação válida e correta da profecia bíblica. De fato, a maioria das pessoas faz essa pergunta quando confrontadas com o preterismo parcial pela primeira vez. Certamente essa profecia não foi cumprida em 70 d.C, assumem as pessoas.

Contudo, mediante cuidadosa inspeção do restante da Bíblia, veremos que ele de fato veio nas nuvens 66-70 d.C.

Em primeiro lugar, deixe-me adicionar o que Jesus disse ao sumo sacerdote de seus dias que ele também veria esse evento ocorrer:

“Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.” (Mateus 26:63-64)

Alguns propõem que isso se refere ao nosso futuro, quando todo mundo o verá vir, pecadores no inferno bem como aqueles na terra. Contudo, isso não faz sentido. Para começar, como uma alma no inferno verá o Filho do homem vir à Terra nas nuvens? E Jesus também disse a esse homem que ele veria Jesus assentado à direita do Todo-Poderoso, ou no trono de Deus. Agora, de que forma o sumo sacerdote veria pessoalmente Jesus assentado no trono, se Jesus estava no céu? Esse é o único lugar onde seu trono é encontrado! Isso também não está falando sobre o dia do julgamento, quando todos estarão diante dele e serão julgados após morrerem, pois Jesus disse a mesma coisa aos discípulos, e indicou que eles não estariam mortos nos céus nem no inferno quando vissem esse evento.

“Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras. Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.” (Mateus 16:27-28)

Esses homens não provariam a morte antes desse evento ocorrer. Em outras palavras, eles ainda estariam vivos. E isso não pode referir-se à vida espiritual em seus corpos espirituais que receberiam na ressurreição, pois a ressurreição do corpo ainda é futura. E esses homens de fato provaram a morte. Mas Jesus estava referindo-se a sua vinda que aconteceu em 66-70 d.C. Como isso é possível? Como pode ser dito que Ele veio nas nuvens em 66-70 d.C? 

Muitas, muitas vezes Deus usou a noção de estar nas nuvens quando Ele indicou que viria em julgamento contra o povo. E isso não é alguma interpretação mística da Escritura relacionada com feitiçaria ou gnosticismo. Tivéssemos olhado para outro lugar além da própria Bíblia, a fim de encontrar essas referências, então isso poderia ser dito “místico”. Contudo, estamos olhando para o restante da Bíblia, a fim de permitir que a Bíblia se interprete a si mesma!
Davi descreveu o tempo quando ele chamou a Deus, quando com problemas com seus perseguidores, da seguinte forma:

“Estando em angústia, invoquei ao SENHOR, e a meu Deus clamei; do seu templo ouviu ele a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.” (II Samuel 22:7)

E vejam a resposta de Deus:

“Então se abalou e tremeu a terra, os fundamentos dos céus se moveram e abalaram, porque ele se irou. Subiu fumaça de suas narinas, e da sua boca um fogo devorador; carvões se incenderam dele. E abaixou os céus, e desceu; e uma escuridão havia debaixo de seus pés. E subiu sobre um querubim, e voou; e foi visto sobre as asas do vento. E por tendas pôs as trevas ao redor de si; ajuntamento de águas, nuvens dos céus. Pelo resplendor da sua presença brasas de fogo se acenderam. Trovejou desde os céus o SENHOR; e o Altíssimo fez soar a sua voz.” (II Samuel 22:8-14)

Deus veio em julgamento contra seus inimigos! Davi disse que Deus veio com densa escuridão abaixo dos seus pés e que as nuvens dos céus eram como pavilhões ou tabernáculos ao redor dele. E ele cavalgava um querubim. Davi viu essas coisas fisicamente? Certamente não! Mas Davi foi inspirado por Deus para descrever o julgamento de Deus sobre os seus perseguidores como uma vinda nas nuvens. Essa era uma figura sobre Deus bem conhecida nas mentes dos aderentes do Antigo Testamento. 

De fato, o sumo sacerdote sabia muito bem que Jesus estava dizendo que era Deus quando informou ao sacerdote que o homem veria Cristo vir nas nuvens! Ele sabia que Jesus estava lhe dizendo que Cristo estava certo e era o Filho de Deus, e viria em julgamento para destruir Jerusalém em seus dias!

Jesus não usou uma linguagem com a qual o sumo sacerdote não era familiarizado! Ele não falou sobre uma verdade exclusivamente entendida pela igreja, que aconteceria somente após mais de 2.000 anos. Ele pronunciou palavras muito familiares ao sumo sacerdote, e o sumo sacerdote sabia muito bem o que Jesus estava anunciando. E por essa razão o sumo sacerdote exclamou: Blasfêmia!

“Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia.” (Mateus 26:64-65)

O sumo sacerdote recordou essas mesmas palavras que eu estou citando em suporte do entendimento que a vinda nas nuvens refere-se a Deus vindo em julgamento. Jesus estava dizendo que Ele era Deus, mas também que Jerusalém seria julgada assim como tinha sido nos tempos do Antigo Testamento, e isso usando exércitos pagãos. A Bíblia diz que a presença de Deus nas nuvens implica justiça e juízo:

“Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e juízo são a base do seu trono.” (Salmos 97:2)

“Eis que virá subindo como nuvens e os seus carros como a tormenta; os seus cavalos serão mais ligeiros do que as águias; ai de nós, que somos assolados! Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os pensamentos da tua iniqüidade?” (Jeremias 4:13-14)

“O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.” (Naum 1:3)

“Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas. E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o SENHOR; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne será como esterco.” (Sofonias 1:15-17)

Isso é repetido continuamente. E todos os que ouviram Jesus entenderam aquelas palavras como recordativas das referências acima, indicando uma vinda de Deus em juízo, incluindo o sumo sacerdote! Assim, o sumo sacerdote exclamou “blasfêmia” ao ouvir isso. Ele não coçou sua cabeça indagando-se sobre o que Jesus estava falando, que teria sido o caso tivesse Jesus se referido a uma ressurreição vindoura da igreja mais de 2.000 anos depois. Mas Jesus disse que o sumo sacerdote veria isso. 

Alguém viu Jesus vir fisicamente nas nuvens? Não! Mas eles viram a destruição de Jerusalém em 66-70 d.C. E isso é o que Jesus quis dizer por pessoas vendo-o vir nas nuvens. Ele quis dizer que elas veriam seu julgamento. Sua destruição. Vir nas nuvens era simplesmente sinônimo de destruição e ira de Deus; portanto, eles veriam a destruição. Mas alguns perguntam: “Jesus não partiu fisicamente em nuvens visíveis em Atos 1:9?” Sim, partiu!
“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” (Atos 1:9-11)

Mas o anjo não estava fazendo alusão à referência de Mateus 24:31, onde lemos sobre Jesus vindo nas nuvens. Eles viram Jesus partir fisicamente numa nuvem física. E essa será a forma como Ele retornará no futuro, na ressurreição. O julgamento de 70 d.C. não incluiu a ressurreição de ninguém. Ele foi um julgamento parcial. O preterismo parcial ensina que Jesus virá novamente na ressurreição. I Coríntios 15 refere-se à próxima vinda. Essa vinda não é em julgamento com ira caindo sobre todo o mundo.

Ela será uma vinda em poder, para nos ressuscitar. E Jesus será visto nas nuvens, visto que Ele habita nessa glória. Nós o vemos descrito como um anjo poderoso em Apocalipse 10, vestido com uma nuvem. Vê-lo nas nuvens em Mateus 24:31 é vê-lo em julgamento. Contudo, quando Ele vier na ressurreição para a igreja, o veremos fisicamente nas nuvens. É sobre essa ressurreição que Paulo fala no texto abaixo:

“Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” (I Tessalonicenses 4:15-17)

Isso não deve ser confundido com Mateus 24:31. Mateus 24:31 é uma vinda em julgamento na qual não vemos Jesus fisicamente, similar às referências a Deus vindo em julgamento com as nuvens no Antigo Testamento. I Tessalonicenses está falando sobre a ressurreição, e não julgamento. E o veremos fisicamente então. 

Escrito por MV Blume
Traduzido por Felipe Sabino de Araujo Neto

Como Jesus Veio nas Nuvens em 70 d.C.?

“Como Jesus veio nas nuvens em 66-70 d.C?” Essa é uma das perguntas que eu mesmo tive que responder quando estava verificando se o preterismo parcial era ou não a interpretação válida e correta da profecia bíblica. De fato, a maioria das pessoas faz essa pergunta quando confrontadas com o preterismo parcial pela primeira vez. Certamente essa profecia não foi cumprida em 70 d.C, assumem as pessoas.

Contudo, mediante cuidadosa inspeção do restante da Bíblia, veremos que ele de fato veio nas nuvens 66-70 d.C.

Em primeiro lugar, deixe-me adicionar o que Jesus disse ao sumo sacerdote de seus dias que ele também veria esse evento ocorrer:

“Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.” (Mateus 26:63-64)

Alguns propõem que isso se refere ao nosso futuro, quando todo mundo o verá vir, pecadores no inferno bem como aqueles na terra. Contudo, isso não faz sentido. Para começar, como uma alma no inferno verá o Filho do homem vir à Terra nas nuvens? E Jesus também disse a esse homem que ele veria Jesus assentado à direita do Todo-Poderoso, ou no trono de Deus. Agora, de que forma o sumo sacerdote veria pessoalmente Jesus assentado no trono, se Jesus estava no céu? Esse é o único lugar onde seu trono é encontrado! Isso também não está falando sobre o dia do julgamento, quando todos estarão diante dele e serão julgados após morrerem, pois Jesus disse a mesma coisa aos discípulos, e indicou que eles não estariam mortos nos céus nem no inferno quando vissem esse evento.

“Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras. Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.” (Mateus 16:27-28)

Esses homens não provariam a morte antes desse evento ocorrer. Em outras palavras, eles ainda estariam vivos. E isso não pode referir-se à vida espiritual em seus corpos espirituais que receberiam na ressurreição, pois a ressurreição do corpo ainda é futura. E esses homens de fato provaram a morte. Mas Jesus estava referindo-se a sua vinda que aconteceu em 66-70 d.C. Como isso é possível? Como pode ser dito que Ele veio nas nuvens em 66-70 d.C? 

Muitas, muitas vezes Deus usou a noção de estar nas nuvens quando Ele indicou que viria em julgamento contra o povo. E isso não é alguma interpretação mística da Escritura relacionada com feitiçaria ou gnosticismo. Tivéssemos olhado para outro lugar além da própria Bíblia, a fim de encontrar essas referências, então isso poderia ser dito “místico”. Contudo, estamos olhando para o restante da Bíblia, a fim de permitir que a Bíblia se interprete a si mesma!
Davi descreveu o tempo quando ele chamou a Deus, quando com problemas com seus perseguidores, da seguinte forma:

“Estando em angústia, invoquei ao SENHOR, e a meu Deus clamei; do seu templo ouviu ele a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.” (II Samuel 22:7)

E vejam a resposta de Deus:

“Então se abalou e tremeu a terra, os fundamentos dos céus se moveram e abalaram, porque ele se irou. Subiu fumaça de suas narinas, e da sua boca um fogo devorador; carvões se incenderam dele. E abaixou os céus, e desceu; e uma escuridão havia debaixo de seus pés. E subiu sobre um querubim, e voou; e foi visto sobre as asas do vento. E por tendas pôs as trevas ao redor de si; ajuntamento de águas, nuvens dos céus. Pelo resplendor da sua presença brasas de fogo se acenderam. Trovejou desde os céus o SENHOR; e o Altíssimo fez soar a sua voz.” (II Samuel 22:8-14)

Deus veio em julgamento contra seus inimigos! Davi disse que Deus veio com densa escuridão abaixo dos seus pés e que as nuvens dos céus eram como pavilhões ou tabernáculos ao redor dele. E ele cavalgava um querubim. Davi viu essas coisas fisicamente? Certamente não! Mas Davi foi inspirado por Deus para descrever o julgamento de Deus sobre os seus perseguidores como uma vinda nas nuvens. Essa era uma figura sobre Deus bem conhecida nas mentes dos aderentes do Antigo Testamento. 

De fato, o sumo sacerdote sabia muito bem que Jesus estava dizendo que era Deus quando informou ao sacerdote que o homem veria Cristo vir nas nuvens! Ele sabia que Jesus estava lhe dizendo que Cristo estava certo e era o Filho de Deus, e viria em julgamento para destruir Jerusalém em seus dias!

Jesus não usou uma linguagem com a qual o sumo sacerdote não era familiarizado! Ele não falou sobre uma verdade exclusivamente entendida pela igreja, que aconteceria somente após mais de 2.000 anos. Ele pronunciou palavras muito familiares ao sumo sacerdote, e o sumo sacerdote sabia muito bem o que Jesus estava anunciando. E por essa razão o sumo sacerdote exclamou: Blasfêmia!

“Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia.” (Mateus 26:64-65)

O sumo sacerdote recordou essas mesmas palavras que eu estou citando em suporte do entendimento que a vinda nas nuvens refere-se a Deus vindo em julgamento. Jesus estava dizendo que Ele era Deus, mas também que Jerusalém seria julgada assim como tinha sido nos tempos do Antigo Testamento, e isso usando exércitos pagãos. A Bíblia diz que a presença de Deus nas nuvens implica justiça e juízo:

“Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e juízo são a base do seu trono.” (Salmos 97:2)

“Eis que virá subindo como nuvens e os seus carros como a tormenta; os seus cavalos serão mais ligeiros do que as águias; ai de nós, que somos assolados! Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os pensamentos da tua iniqüidade?” (Jeremias 4:13-14)

“O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés.” (Naum 1:3)

“Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas. E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o SENHOR; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne será como esterco.” (Sofonias 1:15-17)

Isso é repetido continuamente. E todos os que ouviram Jesus entenderam aquelas palavras como recordativas das referências acima, indicando uma vinda de Deus em juízo, incluindo o sumo sacerdote! Assim, o sumo sacerdote exclamou “blasfêmia” ao ouvir isso. Ele não coçou sua cabeça indagando-se sobre o que Jesus estava falando, que teria sido o caso tivesse Jesus se referido a uma ressurreição vindoura da igreja mais de 2.000 anos depois. Mas Jesus disse que o sumo sacerdote veria isso. 

Alguém viu Jesus vir fisicamente nas nuvens? Não! Mas eles viram a destruição de Jerusalém em 66-70 d.C. E isso é o que Jesus quis dizer por pessoas vendo-o vir nas nuvens. Ele quis dizer que elas veriam seu julgamento. Sua destruição. Vir nas nuvens era simplesmente sinônimo de destruição e ira de Deus; portanto, eles veriam a destruição. Mas alguns perguntam: “Jesus não partiu fisicamente em nuvens visíveis em Atos 1:9?” Sim, partiu!
“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” (Atos 1:9-11)

Mas o anjo não estava fazendo alusão à referência de Mateus 24:31, onde lemos sobre Jesus vindo nas nuvens. Eles viram Jesus partir fisicamente numa nuvem física. E essa será a forma como Ele retornará no futuro, na ressurreição. O julgamento de 70 d.C. não incluiu a ressurreição de ninguém. Ele foi um julgamento parcial. O preterismo parcial ensina que Jesus virá novamente na ressurreição. I Coríntios 15 refere-se à próxima vinda. Essa vinda não é em julgamento com ira caindo sobre todo o mundo.

Ela será uma vinda em poder, para nos ressuscitar. E Jesus será visto nas nuvens, visto que Ele habita nessa glória. Nós o vemos descrito como um anjo poderoso em Apocalipse 10, vestido com uma nuvem. Vê-lo nas nuvens em Mateus 24:31 é vê-lo em julgamento. Contudo, quando Ele vier na ressurreição para a igreja, o veremos fisicamente nas nuvens. É sobre essa ressurreição que Paulo fala no texto abaixo:

“Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” (I Tessalonicenses 4:15-17)

Isso não deve ser confundido com Mateus 24:31. Mateus 24:31 é uma vinda em julgamento na qual não vemos Jesus fisicamente, similar às referências a Deus vindo em julgamento com as nuvens no Antigo Testamento. I Tessalonicenses está falando sobre a ressurreição, e não julgamento. E o veremos fisicamente então. 

Escrito por MV Blume
Traduzido por Felipe Sabino de Araujo Neto